Bodas de Prata de Olga Lenz Pedde e Leonhard Pedde

Bodas de Prata de Olga Lenz Pedde e Leonhard Pedde
Bodas de Prata de Olga Lenz Pedde e Leonhard Pedde - 31/07/1957

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Batatas - 1919

Eu tinha onze anos de idade. Isto foi após o retorno de Orenburg, União Soviética. Em Ostrufka, Volínia, na atual Ucrânia.

Nós fomos colher as batatas. Minha mãe, minha tia e eu, entre outros.

Tínhamos que escavar as batatas com enxada, colher com as mãos e colocar em cestos. As batatas pequenas eram para os porcos, as grandes eram guardadas para alimentação.

Eu era muito fraca. Não conseguia acompanhar a minha tia e a minha mãe que cavavam e colhiam duas carreiras ao mesmo tempo. Eu cavava uma, mesmo assim era demais. Durante a noite fiquei com febre, em razão do esforço.

Nós haviamos voltado da Verschickung (desterro). Isto foi por volta de outubro/novembro de 1919. Outono em Ostrufka. Nas terras que pertenceram ao meu avô.

Os russos haviam ocupado as terras a as instalações da colônia. O meu avô fez um contrato de colheita com eles.

Para cada linha (furche) de batatas colhidas, os colhedores tinham direito a um cesto de 20/30kg de batatas. As linhas tinham em torno de 100 metros de comprimento.

Os russos nos deixaram colher e conseguimos batatas para sobreviver ao inverno. O meu avô, posteriormente, encontrou uma área em Grüntal que não havia sido ocupada pelos russos. A casa nos serviu de residência até a volta do meu pai - Adolf Lenz - ao findar do ano de 1919.

O avô August Rosenberg, ficou em Grüntal até a volta dos verdadeiros proprietários, quando fixou residência em outra colônia localizada em Olefsk. Onde permaneceu até o seu falecimento por volta de 1930.

Como já contado nos saímos da Volínia em 1929.

Olga Lenz Pedde - setembro de 2007.

sábado, 13 de outubro de 2007

Adolf Lenz - 1919 - O retorno à vida civil

Ao findar do ano de 1919 Adolf Lenz foi libertado na Alemanha e voltou para a Ucrânia.
Ao chegar em Neumanufka na Volínia foi obrigado a caminhar 30km a pé, até Grüntal. Como consequência, incharam-lhe os pés.
Em Grüntal, a vila onde os Lenz e os Rosenberg estavam morando, as crianças Olga e Jonathan Lenz não o reconheceram. Estivera seis anos afastado da família.
Olga Lenz tinha 11 anos em 1919 e lhe foi ordenado lavar os pés do pai. Lembrança que mantém até a data atual. Afirma que envergonhou-se sobremaneira do ato.
Relembrando o retorno do pai, Olga Lenz Pedde suspirou e disse:
- Não foi bonito. Foi uma tragédia. Milhares de crianças não viram mais o pai. Nós tivemos sorte!
- Minha mãe recebia no periodo de Guerra uma pensão militar do governo russo. "Jalivania" era o nome russo.
Adolf Lenz, imediatamente, retomou suas atividades civis. Alugou dependência de casa em Grüntal onde sua família foi acomodada. Construiu uma pequena fundição. Passou também a consertar relógios.
Conta Olga Lenz que o seu pai, trabalhou apenas quatro meses em uma fundição, como aprendiz. No entanto, era um exímio mestre fundidor, ferreiro, artesão, construtor de instrumentos musicais e inclusive relojoeiro!!! Constam no acervo da família vários instrumentos contruídos por Adolf Lenz já no Brasil, desde alicates até pequenas chaves de fenda.
Antes do início da 1a. guerra a família tinha encaminhado os papéis para emigrar para os Estados Unidos onde já se encontrava a mãe de Adolf Lenz. Haviam, inclusivo, vendido a casa em Bolarke.
Segundo historiadores, um terço dos alemães da Volínia sucumbiram nos confins da Síbéria no periodo da "verschikung" - 1915/1919.
Nos anos seguintes os bolcheviques procuravam bens e valores nas casas dos colonos. Inobstante a existência de relatos de atrocidades e assassinatos, neste periodo - 1919/1929 - , o núcleo da família Lenz/Rosenberg não sofreu qualquer violência física. No entanto, Blondine Rosenberg faleceu vitimada pelo tifo em 1920. Tios, tias e primos de Olga Lenz Pedde desapareceram na Sibéria. Fatos que serão relatados em outros episódios.
Considerando a longa saga da família, é quase um milagre que o núcleo familiar dos Lenz nada tenha sofrido. É como se estivessem sempre protegidos. Talvez a profunda religiosidade os tenha amparado.
Certa ocasião Adolf Lenz estava com 16 relógios guardados sobre a mesa, em uma pequena caixa que fizera. Todos os relógios tinham-lhe sido entregues para reparo. E, então vieram os bolcheviques e revistaram toda a casa. No entanto, após minuciosa busca em todas as dependências da casa, não enxergaram a caixa que estava sobre a mesa da sala!!!!
- Das wahr ein Leben! (Isto foi uma vida!)
Baseado em relato de Olga Lenz Pedde em setembro de 2007.

Adolf Lenz - Prisioneiro de Guerra - 1917/1919

Na segunda casa em que Adolf Lenz permaneceu como prisioneiro de guerra na Alemanha.

Como já contado, Adolf Lenz fora soldado russo tendo sido feito prisioneiro de guerra pelas forças da Alemanha. Remetido para a Alemanha, em seu periodo inicial como prisioneiro de Guerra teve sérios problemas de alimentação, quando sob a custódia de seu próprio tio, irmão de sua mãe - o Sr. Felske (a Amo não lembra o primeiro nome).

Os Felske tinham dois filhos que estavam na Guerra, engajados como soldados alemães. A eles a Sra. Felske remetia assados de porco, pelo Correio!

Como Adolf Lenz estava sucumbindo, em razão da alimentação, escreveu uma carta para o órgão encarregado dos prisioneiros de Guerra, recebendo imediata resposta e encaminhado para outro local.

O segundo periodo, como prisioneiro de guerra, deu-se em área rural do interior da Alemanha. Existe uma fotografia do periodo, em que Adolf Lenz aparece com dois outros prisioneiros de guerra.

No segundo local o proprietário, responsável pela custódia, tratava bem os prisioneiros, dando-lhes assados de pombas (Dufkes - Täubchens) que na verdade eram gralhas!!!

Dizia Adolf que as gralhas eram bem saborosas ...

Aonde a proprietária e guardiã dos prisioneiros pegava as gralhas é uma incógnita. Presume-se que montava armadilhas.

Considerando as agruras pelas quais o povo alemão passava em virtude da Guerra, as soluções criativas no tocante ao assado de gralhas não pode ser censurado!

Relatado por Olga Lenz Pedde em setembro de 2007.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

A "wilde Jagd" (caça selvagem)

Volínia, divisão administrativa da atual Ucrânia.

Alto inverno, noite tardia, neve espessa e gelo.

E lá vinha Jacob Rosenberg. Era o irmão de August Rosenberg. Caminhava de uma vila vizinha e ia para casa. Já estava casado na época.

Jacob ouviu ao longe o tropel de cavalos, latidos de cães e o som de cornetas de caça.

O barulho avançava de forma rápida. Jacob Rosenberg correu a abrigar-se em celeiro, ficando de costas contra a parede. O barulho ficou ensurdecedor e algo o comprimiu contra a parede. Uma sombra passou por Jacob. E, repentinamente tudo cessou. Jacob, acalmados os nervos, foi para sua casa que estava próxima.

Jacob sempre fora um cético que não acreditava em tais "coisas". Mesmo assim, testemunhou tal fenômeno, denominado "Die wilde jagd" (alemão) ou "wild hunt"(inglês) .

A estória fora recontada há muitos anos por Adoline Lenz sobrinha de Jacob Rosenberg e mãe de Olga Lenz Pedde.

Para saber mais consulte a literatura especializada atinente às lendas e o folclore do Centro-norte Europeu ou os seguintes "sites"

1) http://de.wikipedia.org/wiki/Wilde_Jagd (em alemão) ;

2) http://en.wikipedia.org/wiki/Wild_Hunt (em inglês) ;

3) http://www.vinland.org/heathen/mt/wildhunt.html (em inglês).

Notas:
1) A lenda, folclore ou fenômeno parapsicológico, apresenta semelhanças em todas as culturas regionais europeias, desde a Espanha até os Urais.
2) O compositor Franz Lizt deu a uma de suas composições - Transcendental Etude No. 8 (Liszt) - o nome de "Wilde Jagd" - a respeito http://en.wikipedia.org/wiki/Transcendental_Etude_No._8_%28Liszt%29 e http://en.wikipedia.org/wiki/Transcendental_Studies . Para ouvir procure o endereço You Tube http://youtube.com/watch?v=XQrbH8u_JI8

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Balada de um Soldado

Balada de un Soldado

baseado no cancioneiro Espanhol "Madre anoche en las trincheras" da autoria de um anônimo.

Autora Mafalda Veiga - fonte: http://paginas.fe.up.pt/~fsilva/mafalda/letras/Balada_de_un_Soldado_eng.htm

Madre, anoche en las trincheras
Entre el fuego y la metralla
Vi un enemigo correr
La noche estaba cerada,
La apunté con mi fusil
Y al tiempo que disparaba
Una luz iluminó
El rostro que yo mataba
Clavó su mirada en mi
Con sus ojos ya vacios

Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
Compañero de la escuela
Con quien tanto yo jugué
De soldados y trincheras

Hoy el fuego era verdad
Y mi amigo ya se entierra
Madre, yo quiero morir
Estoy harto de esta guerra
Y si vuelvo a escribir
Talvez lo haga del cielo
Donde encontraré a José
Y jugaremos de nuevo

Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
Compañero de la escuela
Con quien tanto yo jugué
De soldados y trincheras
Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José

Balada de um Soldado

tradução para o português

Mãe, ontem à noite nas trincheiras,
Entre o fogo e a metralha
Vi um inimigo correr
A noite estava cerrada,
Eu apontei com meu fuzil
E quando que eu disparava
Uma luz iluminou
O rosto que eu matava
Pregou seu olhar em mim
Com os olhos já vazios

Mãe, sabes quem matei?
Aquele soldado de inimigo
era meu amigo o José
companheiro da escola
com que tanto eu brinquei
aos soldados e trincheiras

Hoje o fogo era verdade
E meu amigo já é enterrado
Mãe, eu quero morrer
Eu estou farto desta guerra
E se eu voltar a escrever
Talvez o faça do Céu
Onde encontrarei o José
E brincaremos novamente

Mãe, sabes quem matei?
Aquele soldado de inimigo
era meu amigo o José
companheiro da escola
com que tanto eu brinquei
a os soldados e trincheiras

Mãe, sabes quem matei?
Aquele soldado de inimigo
era meu amigo o José

Balada de un Soldado / Ballad of a Soldier

tradução para inglês / english translation

Mother, last night in the trenches
Between the fire and the grapeshot
I saw a foe
running
The night was black,
I aimed with my rifle
And at the time that I shot
A light illuminated
The face that I killed
It nailed its look in me
With the eyes already holows

Mother, do you know who I killed?
That enemy soldier
was my friend José
a school mate
the one who so much I played with
about soldiers and trenches

Today the fire was real
And my friend is already buried
Mother, I want to die
I am fed up with this war
And if I write again
Maybe i do it from Heaven
Where I will find José
And we will play again

Mother, do you know who I killed?
That enemy soldier
was my friend José
a school mate
the one who so much I played with
about soldiers and trenches

Mother, do you know who killed?
That soldier enemy
was my friend José

domingo, 7 de outubro de 2007

As cegonhas





1913/1914 - Ucrânia, Volínia, Bolarke

Meu avô, - August Rosenberg - tinha no telhado do celeiro em Bolarke sempre uma família de cegonhas nidificando.
O ninho era bem grande.
Elas voltavam ano após ano, com suas penas brancas e pretas. Não desciam no terreiro onde estavam os cachorros.
Ovos eram postos e chocados. E aí eu via as cegonhas pequenas sendo tratadas pelo casal adulto!
Buscavam comida no rio onde permaneciam grande parte do tempo.
As cegonhas adultas eram do tamanho de um ganso, tinham pernas compridas.
Era muito bonito quando os bandos de cegonhas chegavam na primavera. E, também, quando os bandos juntavam no outono para irem embora.
Voavam em bandos, eram muitas.

Nós brincávamos cantando esta canção:

Storch, Storch,
Klapper Schnabel
mit der langen Offengabel,
Flüge jetzt über Bäckers Haus,
Bring uns gleich
drei Wecken raus,
Mir eine, dir eine,
nur dem Bösen Lorenz Keine!

Livre tradução:



Cegonha, Cegonha,
Bico batedor
com o grande garfo de fogão,
Voe agora sobre a casa do padeiro,
Traga três pãezinhos,
Um para mim, um para ti,
Apenas para o mau Lorenz, nenhum!

Olga Lenz Pedde 05/10/2007

Cegonhas

Cegonhas - Ponta da Erva - Lisboa - Portugal - 2007 - crédito FxLopes - Flikr - http://www.flickr.com/photos/65979597@N00/1327843749/

Licença CC - Creative Commons - http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/deed.pt Vedada a utilização comercial. Permitida a divulgação desde que preservada a autora.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O Lobo Curioso



Volínia, Ucrânia, por volta de 1872.





O meu avô August Rosenberg contou.



Era inverno cerrado, Volínia, Ucrânia. Os lobos uivavam.



A família Rosenberg morava em cabana de barro.



Então, um lobo olhou pela janela da cabana!



Fotografia: Public-Domain-Bild (alt) (Wikipédia)

Olga Lenz Pedde 04/10/2007.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Holocausto Ucraniano é lembrado no Congresso Nacional

As vitimas do genocídio cometido contra a população da Ucrânia, foram lembradas, no Congresso Nacional.Consta aprovada, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, um requerimento de moção que reconhece como genocídio as atrocidades cometidas na Ucrânia. A moção segue agora para o Governo Federal para o devido registro do reconhecimento.O “Holodomor”, também conhecido como “Grande fome da Ucrânia”, ocorreu durante os anos de 1932 e 1933, durante o governo de Stalin, e estima-se que neste período, milhões de pessoas tenham sido deliberadamente levadas à morte pela fome.O reconhecimento como genocídio ou crime contra a humanidade já foi oficializado nos seguintes países: Estados Unidos, Canadá, Estônia, Argentina, Austrália, Itália, Hungria, Lituânia, Geórgia e Polônia.

Fonte:http://pt.wikinews.org/wiki/Holocausto_Ucraniano_%C3%A9_lembrado_no_Congresso_Nacional - Wikinews.

Para saber mais. Busque em:

1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Holodomor

2) http://pt.wikipedia.org/wiki/A_posi%C3%A7%C3%A3o_da_comunidade_internacional_em_rela%C3%A7%C3%A3o_ao_Holodomor

Estas Pedras

O e-book - "Diese Steine" - escrito com esmero, retrata a crua e trágica realidade dos Menonitas na Ucrânia (692 páginas, suporte "PDF"). De suas páginas exala o cheiro da morte, das injustiças e das atrocidades que fizeram sucumbir milhares de cidadãos ucranianos de descendência centro e norte-européia. O próprio título aponta o testemunho das ruínas que ainda existem na Ucrânia e que retratam um período de pujança econômico/agrícola destruído e jamais substituído. Em alemão.

"Diese Steine: Die Russlandmennoniten." Adina Reger and Delbert Plett. Steinbach: Crossway Publications, 2001" in https://www.plettfoundation.org/publications/diese-steine-die-russlandmennoniten/

Para saber mais:

1) Procure as páginas de referência em http://pt.wikipedia.org/wiki/Menonitas .

2) A respeito dos menonitas na Bolívia leia pequena estória em http://www.watchtower.org/t/20050901/article_01.htm .

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O acidente no carroção de colheita

Bolarke, Wolhynien 1913/1914

Sim, nós estávamos em um carroção de colheita(Leiterwagen e também Erntewagen). Minha mãe segurava o Jonathan no colo, estava sentada no canto da tábua e apoiava-se também em caibro da lateral e eu estava ao seu lado sentada sobre uma tábua atravessada no carroção. Meu pai e o condutor estavam na frente. Não lembro se estavam de pé. Lembro que estavam alegres e provavelmente haviam bebido um pouco.

Um carroção de colheita era uma carroça grande e comprida onde se atrelavam dois ou mais cavalos. Era totalmente aberto, composto por um esqueleto de caibros nas laterais e um taboão onde tais caibros eram presos, e também os eixos das rodas. O carro visto de perfil tinha a forma de um "V". O condutor trabalhava de pé apoiado sobre o taboão ou sentado em cima de uma tábua atravessada, apoiada nos caibros horizontais das laterais.

Isto foi no ano em que meu pai foi convocado para a Guerra. Eu tinha em torno de cinco anos, no máximo seis anos.

E, então a tábua em que eu estava sentada quebrou.

Minha mãe conseguiu segurar-me pelos cabelos enquanto gritava para que parassem os cavalos.

Quando o carroção parou, a minha mãe soltou-me e eu caí sobre a terra.

Lembro até hoje o susto que passei e o medo das rodas do carroção.

Olga Lenz Pedde - 02/10/2007.

A fotografia é o que mais próximo foi encontrado em fotografias públicas, para ilustrar o pequeno conto a respeito do Carroção de Colheita ou Leiterwagen. Fotografia identificada como pública no "Flikr", denominada "Christina's Wagon", tem a seguinte descrição:

"Andrew Wyeth popularized this field, near Olson House in Cushing, Maine, USA with his painting, "Christina's World." Seen during a trip to Maine, July 19-27, 2007. " In http://www.flickr.com/photos/mudder_bbc/1082946234/
Nota: A história atinente ao quadro "Cristina´s World", vale a pena ser pesquisada.
O carroção americano é diferente do carroção da Volínia, posto que o carroção da Ucrânia tinha apenas uma tábua de aproximadamente 45 cm formando a estrutura inferior.

Para saber mais:

(1) Procure folhear um belo livro em suporte "PDF" denominado "Diese Steine" . Na página 255 - canto inferior direito - do E-Book, encontra-se a exata reprodução de um "Leiterwagen" da Volínia. In http://www.plettfoundation.org/Books/DieseSteine/230-483.pdf

(2) A descrição - em alemão - de "Leiterwagen" é encontrada na Wikipédia - http://de.wikipedia.org/w/index.php?title=Leiterwagen&oldid=30899508

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Carcóvia (Kharkow,Charkiw) - 1919

O trem parou nas proximidades da cidade de Carcóvia na Ucrânia. Os desterrados alemães-ucranianos estavam voltando para a Volínia por ordem das autoridades soviéticas.

Alguns dos alemães-ucranianos resolveram fazer pão. No barranco da lateral da ferrovia cavaram um buraco na horizontal, posteriormente fizeram um buraco menor na vertical, sobre o barranco. Como resultado obtiveram um forno rudimentar com chaminé e tudo. Ali foi cozido o pão.

Enquanto isso, ouvia-se ao longe o troar dos canhões. Lutavam entre sí, as tropas revolucionárias russas ( brancos e bolcheviques -vermelhos).

Muitos dos desterrados correram para a mata. A família Rosenberg, no entanto, ficou nas proximidades do trem.

No retorno estavam presentes, a mãe Adoline Lenz, o irmão Jonathan, o avô August Rosenberg, a avó Albertina (Zielke) Rosenberg, a tia Berta (Rosenberg) Leich, o tio Leich, a tia Blondine Rosenberg, que faleceu em 1920, o tio Herbert Rosenberg, as crianças Marta e Ema Netzel.

A mãe das crianças Adine (Rünas) Netzel, falecera em Orenburg. Adine era a sobrinha do avô Rosenberg, filha de sua irmã.

Dado o sinal para a partida do trem todos correram e tomaram os seus lugares. Finalmente chegariam as suas cidades de origem.

Os "retornantes" tinham a esperança de recuperar as suas propriedades na Volínia.

Obs.

(a) - As crianças Marta e Ema Netzel ficaram com o tio avô August Rosenberg até que o pai das mesmas, o Sr. Netzel voltou da guerra.

A versão não foi confirmada até a presente data. Olga Lenz Pedde não lembra com certeza o destino das crianças.

(b) Olga Lenz Pedde não soube informar quais eram as tropas que estavam em luta no retorno para a Volinia. No entanto, existe certeza absoluta considerando a data do retorno 1919 e o local - Carcóvia - que as tropas que lutavam eram as do "exército branco" e as bolcheviques (vermelhas).

(c) Texto baseado em informações de Olga Lenz Pedde 26/09/2007.

Notas:

(1) Carcóvia foi palco de violentos combates, durante a 1a. Guerra Mundial entre alemães e russos e a partir de 1917 até 1920 entre as forças revolucionárias brancas e vermelhas (bolcheviques).

Mais tarde durante a 2a. Guerra Mundial Carcóvia foi conquistada e reconquistada pelos exércitos da Alemanha Nazista e da União Soviética.

(2) Carcóvia (em ucraniano, Kharkiv e em russo , Kharkov) é a segunda maior cidade da Ucrânia. Localiza-se no leste do país. Tem cerca de 1,5 milhão de habitantes (2005). Foi fundada pelos russos em 1656, sendo a capital da Ucrânia até 1934.

(3) Breve resumo histórico atinente a Carcóvia e a Primeira Guerra Mundial:

1917 - 7 de novembro -(25 de outubro no calendário juliano) - A revolução de outubro derruba o Governo provisório russo e toma o poder na Russia.

1918 - Em janeiro acontece na cidade de Carcóvia o primeiro Congresso Ucraniano Soviet, que proclama a Ucrânia como República Soviética e declara Carcóvia como sua capital.

1919 - 1. de janeiro. A proclamada em 25 de dezembro de 1918 - República Soviética Branca - é formada.

1919 - 16 de abril. As forças revolucionárias "vermelhas" vencem a batalha de Dachau, praticamente sem luta.

1919 - 28 de Junho. A Delegação alemã assina, sob protesto, o Tratado de Paz de Versailles, determinando o final da 1A. Guerra Mundial.

Para saber mais:

Leia o seguinte texto didático http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=520

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O Primeiro Professor

Olga Lenz Pedde - Orenburg - Russia por volta de 1915

O professor Stübner foi meu primeiro professor. Ele ensinava também o russo.

De origem alemã, também fora deportado da Volínia.

Sua filha Erna sentava no mesmo banco escolar. Éramos muito amigas.

Certo dia não parávamos de rir. Olhávamos uma para outra e começávamos a rir.

O professor Stübner:

- Erna e Lenz, de pé e fiquem de costas uma para a outra!

Ficamos de pé por algum tempo. Quando nos virávamos para olhar, voltávamos a rir.

Ao final o professor mandou:

- Erna e Lenz, sentem-se!

Acabamos nos acalmando.

(Olga Lenz Pedde 24/09/2007).

Iracema - SC - 1932

Olga Lenz Pedde e Leonhard Pedde

A cama
Recém casados. Cama de taquara. Cadê a Olga? Escorregou por entre as taquaras! Estava no chão!!

A Porta

Chulinsian, China - 1930

Monóxido de carbono

O fogão aquecia a todos com seu calor . Carvão. Dormiam. Acordaram, mas não podiam mover-se, estavam paralisados. O gás acumulara-se no quarto fechado da cabana alugada ao bondoso chinês. Morte lenta, consciente. Desespero. Plam! Jonathan Lenz conseguira mover-se e dera um coice na porta, abrindo-a. Ar puro, vida nova. Ninguém morreu! Mais uma lição de vida!

Para saber mais

Intoxicação por monóxido de carbono
O monóxido de carbono (CO) é um gás muito tóxico, mas inodoro, incolor e insípido, que se mistura facilmente no ar ambiente de uma habitação, sem que as possíveis vítimas tenham consciência de estar expostas a uma atmosfera susceptível de provocar intoxicações e mesmo a morte. Pode levar à asfixia “sem aviso” em pessoas a que ele estejam expostas.
Frequentemente há um pequeno período de tempo antes dos sintomas aparecerem, sintomas que inibem a capacidade de procurar ajuda ou alcançar segurança. Assim, pode debilitar e matar repentinamente.
É produzido pela combustão incompleta de combustíveis como petróleo, gás natural, carvão e turfa. Assim, encontra-se em gases de combustão, tais como, os que produzem os automóveis e os caminhões, os motores pequenos de gasolina, fogões, lanternas, madeira e carvão queimados, fogões de gás e sistemas de calefacção.
O monóxido de carbono proveniente destas fontes pode acumular-se em espaços fechados ou semi-fechados. As pessoas e os animais que se encontram nesses espaços podem intoxicar-se se o respirarem.
http://www.adeslumbrante.com/vsite/index.php?module=pagemaster&PAGE_user_op=view_page&PAGE_id=5&MMN_position=8:8

sábado, 22 de setembro de 2007

Acidente com Pá do Moinho de Vento - por volta de 1921

O filho de Julius Rosenberg tinha por volta de seis anos.

Estava brincando perto das pás do Moinho de Vento.

Foi atingido pela pá, na cabeça, vindo a falecer.

A Amo - Olga Lenz Pedde - foi ao enterro do primo.

Julius Rosenberg era casado com uma filha dos Beder(Böder) (Beder Tochter).

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Julius Rosenberg - 1912/1914

Julius Rosenberg tio de Olga Lenz Pedde - tentou emigrar para os EUA antes da 1. Guerra Mundial.
Fugiu de casa.
O pai de Julius - August Rosenberg - mandou prender o filho na fronteira Polonesa.
Como consequência Julius foi engajado nas tropas do Tzar e lutou na 1A. Guerra Mundial. Quando a família Rosenberg foi "deportada" da Ucrânia para a Sibéria - Julius estava na guerra. Como sabido o velho August aproveitou parada do trem nas proximidades de Orenburg nos Urais e saiu do trem com a sua família.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O canivete vermelho

Amo ( Olga Lenz Pedde) contava cinco anos. Estava brincando na casa do Avô quando encontrou uma caixa com os pertences do tio Albert Rosenberg.
Na caixa um belo canivete vermelho. Pegou o canivete e levou-o para casa. Lá chegando deu-se conta da "arte" que aprontara. Mais do que depressa escondeu o canivete vermelho (provavelmente um canivete Suiço) por baixo da cama.
Dias depois a babá estava limpando o quarto quando encontrou o canivete vermelho.
Conta Olga Lenz Pedde que a sua mãe (Adoline Lenz) apenas lhe disse para levar o canivete a quem de Direito.
A volta para a casa do Avô foi um caminho extremamente penoso, afirmou Olga Lenz Pedde. Posto o objeto em seu lugar a volta foi uma corrida só.
Disse Olga Lenz Pedde que a lição da devolução do canivete, sem qualquer surra, foi uma lição para toda a vida.
Olga Lenz Pedde - julho de 2007

Fronteira Sino-soviética, 1930, março.

Adolf Lenz. Pão.
A chinesa tinha um saco cheio de pão.
Betteln-Brot! Pão de mendicância.
Compraram o pão!

A Senhora - Harbin 1930/1931

Guarda Sol, todo rasgado por baixo do braço. Sapatos masculinos nos pés!
Sinônimo de elegância!
Chegou em casa esbaforida.
Contava dos tiros. Guerra urbana, em plena Harbin!
Se eu não tivesse dobrado a esquina a bala teria me atingido!!!
O Apo (Leonhard Pedde) ria de esborrachar-se no chão!!!!!

Pão para mendicância, Pão para dar

Brot zu betteln – Brot zu geben
Geschrieben von Stefan am Dinstag, 23, Juli 2002
Merk es Dir, ergrauter Vater,
Sag’es auch dem Mütterlein:
Soll dein letzter Lebensabend,
Schön und ohne Sorgen sein,
Dann gib die erworb’nen Güter,
so früh nicht an die Kinder
absonst hast Du im Alter Sorgen,
Wer besitz, den wird man achten,
Kindesdank ist Seltenheit,
Brot zu betteln,
heisst verschmachten,
Brot zu geben,
Seligkeit!

Reproduzido de
http://www.poeten-treff.de/modules.php?name=News&file=article&sid=17