quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Família Janke - Década de 20 - Volínia - Ucrânia
Em 1928 meus pais quiseram emigrar para o Canadá, mas não conseguiram o visto
A razão de nossa saída era que as autoridades soviéticas determinaram que cada colono entregasse um percentual de toda produção ao governo.
O pior era que bandos a cavalo (bolcheviques), que se diziam do governo, chegavam, levando animais, cavalos, bois, aves, etc... e não havia como protestar.
Compilado de carta enviada por Alfred Janke a Virginia Less em 2002.
Harbin - China - 1931 - Adolf Lenz e Leonhard Pedde
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Alfred Janke - 1930 - Harbin - China
August Janke - Volínia - Ucrânia - Década de 20
Alfred Janke - 1929 - A Fuga
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Emília (Mila) Kolmetz - Harbin - 1930/1932
Olga Lenz - Amo - trabalhou como doméstica com várias famílias em Harbin no período 1930/1932. De suas lembranças consta o nome de uma família - "Kolmetz". O Sr. Kolmetz era de origem alemã enquanto a esposa era russa. Trabalhava na área contábil de empresa em Harbin. A filha do casal - Emília - apelidada de "Mila" - falava perfeitamente o alemão e o russo. Tinha nove anos na época em que a Amo serviu em sua casa - teria em torno de 85 anos hoje. "Mila" frequentava escola russa em Harbin. A residência dos Kolmetz ficava em um prédio semelhante a um atual prédio de apartamentos, porem com saída independente para cada família. Amo trabalhou três meses a serviço da família.
Apos a saída da China. Nunca mais teve notícias da família ou de Emília.
Estória com base em relato de Olga Lenz Pedde - Amo - em 6/12/2007.
Harbin - China - 1932
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
O Rádio Schaub
Ema Rosenberg Nätzel (Jobs)
Ficou viúva quando já tinha três filhos, Otto, Alma e um terceiro não identificado até a presente data.
Casou-se novamente com Adolf Jobs que também era viúvo e tinha filhos.
Por ocasião da "verschikung" (desterro) 1914/1915 foram enviados para a Sibéria e nunca mais se ouviu falar da família.
Harbin - China - Colonialismo
Blackout 1942/1945 - Porto Alegre
Apo - Leonhard Pedde -1942
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Batatas - 1919
Eu tinha onze anos de idade. Isto foi após o retorno de Orenburg, União Soviética. Em Ostrufka, Volínia, na atual Ucrânia.
Nós fomos colher as batatas. Minha mãe, minha tia e eu, entre outros.
Tínhamos que escavar as batatas com enxada, colher com as mãos e colocar em cestos. As batatas pequenas eram para os porcos, as grandes eram guardadas para alimentação.
Eu era muito fraca. Não conseguia acompanhar a minha tia e a minha mãe que cavavam e colhiam duas carreiras ao mesmo tempo. Eu cavava uma, mesmo assim era demais. Durante a noite fiquei com febre, em razão do esforço.
Nós haviamos voltado da Verschickung (desterro). Isto foi por volta de outubro/novembro de 1919. Outono em Ostrufka. Nas terras que pertenceram ao meu avô.
Os russos haviam ocupado as terras a as instalações da colônia. O meu avô fez um contrato de colheita com eles.
Para cada linha (furche) de batatas colhidas, os colhedores tinham direito a um cesto de 20/30kg de batatas. As linhas tinham em torno de 100 metros de comprimento.
Os russos nos deixaram colher e conseguimos batatas para sobreviver ao inverno. O meu avô, posteriormente, encontrou uma área em Grüntal que não havia sido ocupada pelos russos. A casa nos serviu de residência até a volta do meu pai - Adolf Lenz - ao findar do ano de 1919.
O avô August Rosenberg, ficou em Grüntal até a volta dos verdadeiros proprietários, quando fixou residência em outra colônia localizada em Olefsk. Onde permaneceu até o seu falecimento por volta de 1930.
Como já contado nos saímos da Volínia em 1929.
Olga Lenz Pedde - setembro de 2007.
sábado, 13 de outubro de 2007
Adolf Lenz - 1919 - O retorno à vida civil
Ao chegar em Neumanufka na Volínia foi obrigado a caminhar 30km a pé, até Grüntal. Como consequência, incharam-lhe os pés.
Em Grüntal, a vila onde os Lenz e os Rosenberg estavam morando, as crianças Olga e Jonathan Lenz não o reconheceram. Estivera seis anos afastado da família.
Olga Lenz tinha 11 anos em 1919 e lhe foi ordenado lavar os pés do pai. Lembrança que mantém até a data atual. Afirma que envergonhou-se sobremaneira do ato.
Relembrando o retorno do pai, Olga Lenz Pedde suspirou e disse:
- Não foi bonito. Foi uma tragédia. Milhares de crianças não viram mais o pai. Nós tivemos sorte!
- Minha mãe recebia no periodo de Guerra uma pensão militar do governo russo. "Jalivania" era o nome russo.
Adolf Lenz, imediatamente, retomou suas atividades civis. Alugou dependência de casa em Grüntal onde sua família foi acomodada. Construiu uma pequena fundição. Passou também a consertar relógios.
Conta Olga Lenz que o seu pai, trabalhou apenas quatro meses em uma fundição, como aprendiz. No entanto, era um exímio mestre fundidor, ferreiro, artesão, construtor de instrumentos musicais e inclusive relojoeiro!!! Constam no acervo da família vários instrumentos contruídos por Adolf Lenz já no Brasil, desde alicates até pequenas chaves de fenda.
Antes do início da 1a. guerra a família tinha encaminhado os papéis para emigrar para os Estados Unidos onde já se encontrava a mãe de Adolf Lenz. Haviam, inclusivo, vendido a casa em Bolarke.
Nos anos seguintes os bolcheviques procuravam bens e valores nas casas dos colonos. Inobstante a existência de relatos de atrocidades e assassinatos, neste periodo - 1919/1929 - , o núcleo da família Lenz/Rosenberg não sofreu qualquer violência física. No entanto, Blondine Rosenberg faleceu vitimada pelo tifo em 1920. Tios, tias e primos de Olga Lenz Pedde desapareceram na Sibéria. Fatos que serão relatados em outros episódios.
Considerando a longa saga da família, é quase um milagre que o núcleo familiar dos Lenz nada tenha sofrido. É como se estivessem sempre protegidos. Talvez a profunda religiosidade os tenha amparado.
Certa ocasião Adolf Lenz estava com 16 relógios guardados sobre a mesa, em uma pequena caixa que fizera. Todos os relógios tinham-lhe sido entregues para reparo. E, então vieram os bolcheviques e revistaram toda a casa. No entanto, após minuciosa busca em todas as dependências da casa, não enxergaram a caixa que estava sobre a mesa da sala!!!!
- Das wahr ein Leben! (Isto foi uma vida!)
Adolf Lenz - Prisioneiro de Guerra - 1917/1919
Na segunda casa em que Adolf Lenz permaneceu como prisioneiro de guerra na Alemanha.
Como já contado, Adolf Lenz fora soldado russo tendo sido feito prisioneiro de guerra pelas forças da Alemanha. Remetido para a Alemanha, em seu periodo inicial como prisioneiro de Guerra teve sérios problemas de alimentação, quando sob a custódia de seu próprio tio, irmão de sua mãe - o Sr. Felske (a Amo não lembra o primeiro nome).
Os Felske tinham dois filhos que estavam na Guerra, engajados como soldados alemães. A eles a Sra. Felske remetia assados de porco, pelo Correio!
Como Adolf Lenz estava sucumbindo, em razão da alimentação, escreveu uma carta para o órgão encarregado dos prisioneiros de Guerra, recebendo imediata resposta e encaminhado para outro local.
O segundo periodo, como prisioneiro de guerra, deu-se em área rural do interior da Alemanha. Existe uma fotografia do periodo, em que Adolf Lenz aparece com dois outros prisioneiros de guerra.
No segundo local o proprietário, responsável pela custódia, tratava bem os prisioneiros, dando-lhes assados de pombas (Dufkes - Täubchens) que na verdade eram gralhas!!!
Dizia Adolf que as gralhas eram bem saborosas ...
Aonde a proprietária e guardiã dos prisioneiros pegava as gralhas é uma incógnita. Presume-se que montava armadilhas.
Considerando as agruras pelas quais o povo alemão passava em virtude da Guerra, as soluções criativas no tocante ao assado de gralhas não pode ser censurado!
Relatado por Olga Lenz Pedde em setembro de 2007.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
A "wilde Jagd" (caça selvagem)
Volínia, divisão administrativa da atual Ucrânia.
Alto inverno, noite tardia, neve espessa e gelo.
E lá vinha Jacob Rosenberg. Era o irmão de August Rosenberg. Caminhava de uma vila vizinha e ia para casa. Já estava casado na época.
Jacob ouviu ao longe o tropel de cavalos, latidos de cães e o som de cornetas de caça.
O barulho avançava de forma rápida. Jacob Rosenberg correu a abrigar-se em celeiro, ficando de costas contra a parede. O barulho ficou ensurdecedor e algo o comprimiu contra a parede. Uma sombra passou por Jacob. E, repentinamente tudo cessou. Jacob, acalmados os nervos, foi para sua casa que estava próxima.
Jacob sempre fora um cético que não acreditava em tais "coisas". Mesmo assim, testemunhou tal fenômeno, denominado "Die wilde jagd" (alemão) ou "wild hunt"(inglês) .
A estória fora recontada há muitos anos por Adoline Lenz sobrinha de Jacob Rosenberg e mãe de Olga Lenz Pedde.
Para saber mais consulte a literatura especializada atinente às lendas e o folclore do Centro-norte Europeu ou os seguintes "sites"
1) http://de.wikipedia.org/wiki/Wilde_Jagd (em alemão) ;
2) http://en.wikipedia.org/wiki/Wild_Hunt (em inglês) ;
3) http://www.vinland.org/heathen/mt/wildhunt.html (em inglês).
Notas:
1) A lenda, folclore ou fenômeno parapsicológico, apresenta semelhanças em todas as culturas regionais europeias, desde a Espanha até os Urais.
2) O compositor Franz Lizt deu a uma de suas composições - Transcendental Etude No. 8 (Liszt) - o nome de "Wilde Jagd" - a respeito http://en.wikipedia.org/wiki/Transcendental_Etude_No._8_%28Liszt%29 e http://en.wikipedia.org/wiki/Transcendental_Studies . Para ouvir procure o endereço You Tube http://youtube.com/watch?v=XQrbH8u_JI8
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Balada de um Soldado
Balada de un Soldado
baseado no cancioneiro Espanhol "Madre anoche en las trincheras" da autoria de um anônimo.
Autora Mafalda Veiga - fonte: http://paginas.fe.up.pt/~fsilva/mafalda/letras/Balada_de_un_Soldado_eng.htm
Madre, anoche en las trincheras Madre, sabes quien maté? Hoy el fuego era verdad Madre, sabes quien maté? |
Balada de um Soldado
tradução para o português
| Mãe, ontem à noite nas trincheiras, Entre o fogo e a metralha Vi um inimigo correr A noite estava cerrada, Eu apontei com meu fuzil E quando que eu disparava Uma luz iluminou O rosto que eu matava Pregou seu olhar em mim Com os olhos já vazios Mãe, sabes quem matei? Aquele soldado de inimigo era meu amigo o José companheiro da escola com que tanto eu brinquei aos soldados e trincheiras Hoje o fogo era verdade E meu amigo já é enterrado Mãe, eu quero morrer Eu estou farto desta guerra E se eu voltar a escrever Talvez o faça do Céu Onde encontrarei o José E brincaremos novamente Mãe, sabes quem matei? Aquele soldado de inimigo era meu amigo o José companheiro da escola com que tanto eu brinquei a os soldados e trincheiras Mãe, sabes quem matei? |
Balada de un Soldado / Ballad of a Soldier
tradução para inglês / english translation
| Mother, last night in the trenches Between the fire and the grapeshot I saw a foe running The night was black, I aimed with my rifle And at the time that I shot A light illuminated The face that I killed It nailed its look in me With the eyes already holows Mother, do you know who I killed? Mother, do you know who killed? |
domingo, 7 de outubro de 2007
As cegonhas
1913/1914 - Ucrânia, Volínia, Bolarke
Meu avô, - August Rosenberg - tinha no telhado do celeiro em Bolarke sempre uma família de cegonhas nidificando.
O ninho era bem grande.
Elas voltavam ano após ano, com suas penas brancas e pretas. Não desciam no terreiro onde estavam os cachorros.
Ovos eram postos e chocados. E aí eu via as cegonhas pequenas sendo tratadas pelo casal adulto!
Buscavam comida no rio onde permaneciam grande parte do tempo.
As cegonhas adultas eram do tamanho de um ganso, tinham pernas compridas.
Era muito bonito quando os bandos de cegonhas chegavam na primavera. E, também, quando os bandos juntavam no outono para irem embora.
Voavam em bandos, eram muitas.
Nós brincávamos cantando esta canção:
Storch, Storch,
Klapper Schnabel
mit der langen Offengabel,
Flüge jetzt über Bäckers Haus,
Bring uns gleich
drei Wecken raus,
Mir eine, dir eine,
nur dem Bösen Lorenz Keine!
Livre tradução:
Cegonha, Cegonha,
Bico batedor
com o grande garfo de fogão,
Voe agora sobre a casa do padeiro,
Traga três pãezinhos,
Um para mim, um para ti,
Apenas para o mau Lorenz, nenhum!
Olga Lenz Pedde 05/10/2007
Cegonhas

Cegonhas - Ponta da Erva - Lisboa - Portugal - 2007 - crédito FxLopes - Flikr - http://www.flickr.com/photos/65979597@N00/1327843749/
Licença CC - Creative Commons - http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.0/deed.pt Vedada a utilização comercial. Permitida a divulgação desde que preservada a autora.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
O Lobo Curioso

Volínia, Ucrânia, por volta de 1872.
O meu avô August Rosenberg contou.
Era inverno cerrado, Volínia, Ucrânia. Os lobos uivavam.
A família Rosenberg morava em cabana de barro.
Então, um lobo olhou pela janela da cabana!
Fotografia: Public-Domain-Bild (alt) (Wikipédia)
Olga Lenz Pedde 04/10/2007.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Holocausto Ucraniano é lembrado no Congresso Nacional
As vitimas do genocídio cometido contra a população da Ucrânia, foram lembradas, no Congresso Nacional.Consta aprovada, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, um requerimento de moção que reconhece como genocídio as atrocidades cometidas na Ucrânia. A moção segue agora para o Governo Federal para o devido registro do reconhecimento.O “Holodomor”, também conhecido como “Grande fome da Ucrânia”, ocorreu durante os anos de 1932 e 1933, durante o governo de Stalin, e estima-se que neste período, milhões de pessoas tenham sido deliberadamente levadas à morte pela fome.O reconhecimento como genocídio ou crime contra a humanidade já foi oficializado nos seguintes países: Estados Unidos, Canadá, Estônia, Argentina, Austrália, Itália, Hungria, Lituânia, Geórgia e Polônia.
Fonte:http://pt.wikinews.org/wiki/Holocausto_Ucraniano_%C3%A9_lembrado_no_Congresso_Nacional - Wikinews.
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